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Abu Ali Al-hazen ibn Al-haytham
O árabe Alhazen (nome latinizado) nasceu em Basra, cidade da Pérsia, no ano de 965. Quando ainda moço, dedicou-se quase que exclusivamente ao estudo da teologia, porquanto esperava exercer em sua maioridade algum cargo político de destaque. Em sua autobiografia, conta-nos como as conflituosas visões islâmico-religiosas de seu tempo lhe provocaram profundo amargor, arrefecendo-lhe o desejo de dar continuidade em seus estudos metafísicos. Pois, segundo ele, estava desiludido, sem esperanças de encontrar alguma verdade ali.
À medida em que seus estudos teológicos provocavam-lhe desalendo, gestava-se em si um cada vez mais profundo interesse pelas ciências naturais, cujo o saber era embalado pelas obras de Aristóteles. A certa altura de sua vida, Alhazen decide abdicar dos estudos teológicos e dedicar-se plenamente a matemática e as ciências físicas.
Após consagrar-se como respeitável cientísta em Basra, mudou-se para Cairo, no Egito. Lá sugeriu que pudesse engendrar um sistema de barragens regulador das cheias do Nilo. Sua atrevida promessa conformada por seu prestígio logo encheram de entusiasmo o Califa Al-Hakim, que prontamente o destinou para esta missão, provendo-lhe de todos os recursos que fossem necessários. Alhazen não conseguiu levar a termo o plano, pois percebeu que este empreendimento estava para além de sua capacidade. A imprudência de Alhazen despertou a fúria do Califa, que, além de ter perdido tempo com tudo isto, temia ser ridicularizado por seus súditos. Alhazen, temendo ser condenado a morte, fingiu-se de louco. O resultado foi uma condenação à prisão domiciliar que perdurou por onze anos, até a data de morte do Califa, em 1021. Durante este período, Alhazen trabalhou como copista, professor, e também produziu numerosos textos que tratavam principalmente de física e matemática. Com sua libertação, sabemos que provavelmente esteve em Bagdá e na Síria, mas o preciso itinerário é incerto. Alhazen morreu no Cairo em 1040.
Alhazen escreveu fartamente. Sabemos que produziu cerca de 92 trabalhos, os quais versam sobre teoria do conhecimento, teoria da visão, óptica em geral, astronomia, matemática etc. Destes trabalhos, chegou-nos conservados 55 deles.
A principal de suas obras é O livro de óptica, um camalhaço de milhares de páginas dividas em 7 volumes. Este livro foi traduzido para o latim em 1270 por Roberto Grosseteste, tornando-se o primeiro livro a dividir palco, mesmo que tomando pequena parte dele, com o Almagesto, de Ptolomeu, na europa medieval.
Seus principais trabalhos foram:
◦ Kitāb al-manāẓir [Livro de óptica];
◦ Ḥall shukūk fī Kitāb Uqlīdis [Solução das dificuldades da óptica euclidiana];
◦ Hayʾat al-ʿālam [Sobre a configuração do mundo];