Aula13-99: Efeito fotoelétrico
Philipp Von Lenard (★ 1862 — 1947 ✝) foi o físco alemão que concebeu o seguinte experimento: Uma ampola de gás interior rarefeito tem em suas extremidades internas duas placas condutoras eletrizadas, uma negativamente (cátodo) e outra positivamente (anôdo), as quais ligam-se a um gerador. Compondo o aparato experimental há também um gerador de luz (ondas eletromagnéticas) que focaliza no cátôdo. A experiência consiste em disparar luz contra o catôdo e analizar, por intermédio de um amperímetro, a corrente no circuito cátodo-anôdo.
Realizando-se o experimento, sem gerador elétrico (com DDP nula),observava-se que:
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A) Se não há incidência luminosa, não há corrente elétrica; B) A corrente elétrica ocorre quase que instantaneamente após a incidência luminosa e não depende da intensidade luminosa; C) A corrente elétrica depende da intensidade luminosa; D) A corrente elétrica depende da frequência da luz; E) Abaixo de uma determinada frequência, a corrente elétrica torna-se nula; não importa o quão intensa seja a incidência luminosa. A frequência de corte depende da matéria constituinte do cátodo; |
Variando-se a DDP no gerador, constata-se que:
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F) Para uma dada intensidade luminosa, o aumento da DDP impõe um limite de intensidade de corrente elétrica; G) Para um dado tipo de cátodo, existe uma DDP que impede a propagação de corrente elétrica. |
Muitos dos efeitos observados no experimento podiam ser explicados por vias da física clássica, já outros eram incompreensíveis.
A) Se não há incidência luminosa, não há corrente elétrica: Isto é previsto mesmo na teoria clássica, se não há intensidade luminosa incidente sobre a pláca, não há energia para provocar qualquer movimentação de elétrons.
B) A corrente elétrica ocorre quase que instantaneamente após a incidência luminosa e isto não depende da intensidade luminosa: Isto não se justifica por meio da teoria clássica; pois, considerando que, promovendo uma incidencia luminosa pequena, poderíamos paulatinamente alimentar os elétrons de energia, até que eles, depois de um intervalo de tempo não despresível, rompessem ligação com o cátodo e migrasse para o anôdo.
C) A corrente elétrica depende da intensidade luminosa: A teoria clássica já previa que uma maior intensidade luminosa implicaria em maior energia, e maior energia movimentaria mais elétrons, influenciando na corrente elétrica.
D) A corrente elétrica depende da frequência da luz: Não era previsto na teoria clássica que a energia dependesse da frequência das ondas incidentes.
E) Abaixo de uma determinada frequência, a corrente elétrica torna-se nula; não importa o quão intensa seja a incidência luminosa. A frequência de corte depende da matéria constituinte do cátodo. A frequência de corte depende da matéria constituinte do cátodo: A teoria clássica também não era capaz de explicar este ponto.
F) Para uma dada intensidade luminosa, o aumento da DDP impõe um limite de intensidade de corrente elétrica: Para uma dada intensidade luminosa, o aumento da DDP impõe um limite de intensidade de corrente elétrica: Absolutamente compreensível por meio da teoria clássica. Quando não há DDP, os elétrons são ejetados do cátodo para todas as direções; quando é imposta uma DDP positiva, os elétrons são direcionados ao anôdo. A corrente limite acontece quando a DDP for suficientemente grande para impelir todos os elétrons, que partem do cátodo, para o anôdo.
G) Para um dado tipo de cátodo, existe uma DDP que impede a propagação de corrente elétrica: Para um dado tipo de cátodo, existe uma DDP que impede a propagação de corrente elétrica: Não compreensível.
Como estudamos na aula anterior, Plank descreve satisfatóriamente o espectro de emissão de radiação de um corpo negro propondo a quantização da energia. Albert Einstein (★ 1879 — 1955 ✝) em 1905, inspirado pelos trabalhos de Planck, resolveu o impasse que se apresentava entre o fenômeno observado e a teoria clássica. Para resolver este problema, ele propõs os seguintes postulados:
I. A luz é constituída por fótons que carregam pacotes de energia denominados "quantum" (quantum = h.f);
II. Em uma interação entre um fóton e um elétron toda a energia do fóton é transferida ou nada da energia é transferida;
III. As interações acontem aos pares: só único fóton interage exclusivamente com um único elétron.
Com estes postulados, as observações inexplicáveis no contexto clássico, tornam-se explicaveis.
A) A explicação desta observação vai na linha da explicação clássica.
B) A corrente elétrica ocorre quase que instantaneamente após a incidência luminosa e isto não depende da intensidade luminosa: Agora, é-nos compreensível este fenômeno, pois a energia chega até a placa em pacotes e é indiferente haver poucos pacotes (baixa intensidade luminosa) ou muitos pacotes (alta intensidade luminosa). Se a frequência destes pacotes for a adequada, estes pacotes, mesmo que poucos, conseguirão remover o elétron e ele será lançado para o anôdo.
C) A corrente elétrica depende da intensidade luminosa: Quanto mais pacotes chegarem (quanto maior a intensidade), mais elétrons serão ejetados e serão capazes de provocar corrente elétrica.
D) A corrente elétrica depende da frequência da luz: Explica-se no postulado I.
E) Abaixo de uma determinada frequência, a corrente elétrica torna-se nula; não importa o quão intensa seja a incidência luminosa. A frequência de corte depende da matéria constituinte do cátodo. A frequência de corte depende da matéria constituinte do cátodo: Cátodos diferentes possuem diferentes constituições químicas. Com efeito, possuem diferentes funções trabalho; deste modo, dada uma função trabalho, apenas luz acima de uma frequência miníma terá pacotes de energia capaz de remover elétrons do cátodo.
A função trabalho é uma equação que relaciona a energia que um elétron recebe com o trabalho necessário para ele deixar o átomo e a energia cinética que ele possuirá ao abandoná-lo.
F) Para uma dada intensidade luminosa, o aumento da DDP impõe um limite de intensidade de corrente elétrica: A explicação é mesma que foi dada no contexto clássico.
G) Para um dado tipo de cátodo, existe uma DDP que impede a propagação de corrente elétrica: Para uma dada função trabalho, está definida a quantidade de energia necessária para se remover um elétron do átomo e a energia cinética que este elétron possuirá. Quando a DDP for grande o bastante para gerar uma força elétrica capaz de frear este elétron, não haverá mais corrente elétrica.